CNJ pune juiz amazonense por omissão em caso de misoginia

CNJ aplica censura a juiz do Amazonas por inação durante julgamento marcado por falas misóginas contra advogada.

CNJ pune juiz amazonense por omissão em caso de misoginia

Durante julgamento no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Plenário decidiu por unanimidade aplicar a pena de censura a um juiz do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). A sanção foi motivada pela conduta omissa do magistrado durante sessão em que um promotor utilizou linguagens agressivas, de cunho misógino e depreciativo, contra uma advogada.

A relatora do caso, conselheira Renata Gil, destacou que o comportamento violou a Lei Orgânica da Magistratura, o Código de Ética e os princípios do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero. A omissão do juiz preocupa pelo impacto na sociedade e pela perpetuação de violência de gênero.

Violação e omissão no caso

O episódio ocorreu durante o julgamento de um feminicídio, erroneamente tratado como homicídio comum. Apesar dos ataques verbais do promotor direcionados a questões de gênero, incluindo ofensas à advogada, o juiz não interveio para garantir um ambiente processual isento e respeitoso. Conforme o relatório, a postura do magistrado beneficiou o promotor, ao mesmo tempo que negou intervenções e pedidos legítimos apresentados pela defesa.

Renata Gil ressaltou que o juiz infringiu normas éticas e contrariou protocolos do CNJ que reforçam a necessidade de julgamento com consciência de gênero. Além disso, o comportamento afeta negativamente a confiança da sociedade no sistema judicial, especialmente em processos envolvendo mulheres.

A pena de censura e seus impactos

Embora o magistrado esteja atualmente aposentado por invalidez, a decisão do CNJ possui implicações futuras, registrando a penalidade em seus assentamentos funcionais. Caso volte a exercer seu cargo, os efeitos práticos da punição serão imediatamente aplicados. Além disso, o Conselho Nacional do Ministério Público será oficiado, tendo em vista a participação do promotor.

Essa decisão reforça o reconhecimento da importância de combater a violência institucional no sistema de Justiça. Conselheiros(as) afirmaram ainda que o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero vai além de uma formalidade, representando uma política que precisa ser observada em todos os tribunais.

Considerações finais sobre o caso

O CNJ demonstrou compromisso em avançar na luta contra desigualdades de gênero e comportamentos que reproduzem misoginia dentro do Poder Judiciário. O caso serve como alerta para magistrados(as) e agentes do sistema de Justiça sobre a responsabilidade diante de violações de direitos, especialmente em casos de violência de gênero.

Dessa forma, a punição aplicada reitera que a passividade perante situações de discriminação ou violência não será tolerada no ambiente judicial. A postura ativa e imparcial dos magistrados(as) é essencial na construção de um sistema justo e equitativo.

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Redação
Redação jornalística da Elias & Cury Advogados Associados.

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