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José de Abreu indenizará Carlos Vereza por ofensas

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ/RJ) manteve a decisão que condena o ator José de Abreu a pagar R$ 35 mil de indenização por danos morais ao colega Carlos Vereza. A condenação ocorreu após Abreu tê-lo chamado de "fascista", "sem caráter" e "esclerosado" em uma postagem feita no X, antigo Twitter, em 2020. Segundo a corte, as declarações foram além dos limites da liberdade de expressão, ferindo a honra do autor.

A relatora do caso, desembargadora Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo, destacou que manifestações públicas como essas não possuem caráter crítico ou informativo, mas exclusivamente ofensivo, ampliando o impacto devido à ampla visibilidade das redes sociais. Além da indenização, foi determinada a retratação pública na mesma plataforma onde as ofensas ocorreram. O processo continua repercutindo como exemplo sobre os limites da expressão em ambientes digitais.

Contexto da decisão judicial

O litígio teve origem em 2020, quando José de Abreu fez críticas a Regina Duarte após a atriz aceitar um cargo no governo do então presidente Jair Bolsonaro. Carlos Vereza interveio, sugerindo que Abreu fosse mais cuidadoso em seus comentários. A resposta de José veio de forma contundente, com insultos direcionados ao colega, que, por sua vez, ajuizou a ação.

Ainda que o réu tenha argumentado que suas postagens eram críticas naturais a figuras públicas, o TJ/RJ discordou, sustentando que os direitos constitucionais, como a liberdade de expressão, não são absolutos e devem ser compatíveis com outros direitos, como a dignidade e a honra. A corte reforçou que julgamentos na esfera criminal, como o arquivamento de queixa-crime anteriormente, não eximem responsabilidades civis, como previsto no artigo 935 do Código Civil.

Decisão e impactos no meio digital

O acórdão frisou que insultos na esfera digital, vindos de pessoas públicas, possuem maior repercussão pela capacidade de alcance da internet, potencializando o dano à reputação e a imagem da vítima. O texto do tribunal também lamenta que a falta de civilidade em debates entre personalidades públicas gere demandas judiciais desnecessárias, sobrecarregando o Judiciário.

Outros pontos relevantes:

Questões constitucionais e liberdade de expressão

O caso representa um marco sobre a ponderação entre liberdade de expressão e responsabilidade em redes digitais. Segundo especialistas, situações como essa ressaltam a necessidade de manter o respeito e evitar extrapolações que possam gerar danos. A decisão ainda reflete sobre como as redes sociais, atualmente, amplificam discussões públicas e exigem do utilizador maior cautela, principalmente de figuras públicas com grande influência.

Assim, o caso reforça a relevância da ética no uso de plataformas para debates, evitando ações que prejudiquem a honra e a dignidade de terceiros.

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